Extemporâneo


O Fígado de Astor

Os urubus sobrevoavam o pátio daquela velha garagem, vinham em sua direção mirando em seu fígado, ele se via ali imóvel com os órgãos abdominais expostos enquanto os abutres lhe vigiavam, esperando apenas uma oportunidade de poderem saborear aquele prato tão apetitoso. No entanto, a putrefação não havia tomado ainda conta do seu corpo, mas os jatos de sangue esguichavam sem parar, não havia mais um suspiro de vida, apenas a tormenta de estar enfrentando o fim.

De repente, tudo começa a girar, ele não mais nota os urubus a vigiá-lo, nem os vermes aproximando-se, apenas percebe que tudo está escuro, e no meio daquela penumbra, surge um corpo pequeno, de um anão com orelhas pontudas para lhe segurar as mãos e guiá-lo por aquela terra estranha. Era um território do qual não havia nunca ouvido falar, uma área escura, dentro de uma caverna, o anão o guiava na descida de um desfiladeiro de pedras.

Num instante pensou em largar das mãos daquele ser pequeno e estranho, pensou em dar-lhe um ponta-pé e voltar correndo para cima. Logo desistiu da idéia, pois chegou à conclusão de que não sabia como havia chegado ali, portanto não teria como se guiar sozinho por aquela terra desconhecida. Sentia uma dor muito forte a tomar-lhe conta da parte frontal da cabeça, ouvia um zunido muito estridente a perfurar-lhe os ouvidos.

Foi quando o anão olhou para trás para dar-lhe instruções, Astor foi dar atenção ao ser pequenino e, quando olhou em sua face, viu que não se tratava de um anão em um desfiladeiro, mas sim de uma bela moça de olhos azuis, num campo aberto, próximo a um castelo. Pois é, ele estivera enganado, ao invés de um ser pequeno de orelhas pontudas a guiar-lhe por um lugar escuro, o que havia era uma linda moça, com um longo vestido, a segurar suas mãos por entre os campos que circundavam um imenso e maravilhoso castelo.

Astor se sentiu feliz, pensou em dar um beijo na moça, mas não alcançava sua face, ela era alta para ele, não entendia como poderia haver moça tão alta, foi quando resolveu olhar para seu próprio corpo, foi grande a surpresa quando ele notou aquele fato: ele não era mais o velho Astor, um rapaz alto e forte, mas sim uma menina de cinco anos num belo vestido vermelho.

De repente, notou a chegada de um cavaleiro, vindo montado sobre uma linda égua branca, o moço forte olhou para Astor e para a moça que o guiava e pegou-os nos braços colocando-os sobre o cavalo, ele não estava mais à vontade, pois era uma pequenina, de vestido vermelho, espremida entre um cavaleiro e uma moça, montada em um cavalo, sentindo o cheiro horrível do suor que vinha das costas do cavaleiro, começou a esmurrá-lo na tentativa de se livrar daquela situação incomoda.

Ouviu então gritos vindos do cavaleiro, ele exclamava: “Pare meu filho!”, mas não era a voz de um cavaleiro com as costas esmurradas que ele ouvia, e sim a de sua mãe, isso mesmo, sua mãe agora o olhava e gritava alto por estar sendo agredida pelo próprio filho. Astor ficou confuso, não entendia o porque de estar esmurrando sua própria mãe, apenas notava que ela estava com um olho roxo. Resolveu que pediria desculpas, segurou a mãe pelos braços e começou a chorar desesperadamente, queria pedir desculpas, mas não lhe saíam palavras, deu um abraço forte e durante o abraço decidiu que se desculparia, distanciou os rostos e olhou em sua face.

Deu um grito de desespero, quando olhou no rosto de sua mãe, viu que não era ela que estava lá, e sim um urubu, pois é, Astor segurava um urubu nos braços e lhe pedia desculpas por tê-lo esmurrado. Jogou longe a ave preta, sentiu nojo por ter dado um beijo naquele abutre carniceiro, mas o urubu voltou com força e começou a atacar seu fígado, a dar-lhe beliscadas violentas e comer seus órgãos abdominais expostos, começou a gritar e pedir por socorro.

No meio da noite, acordou suado na cama, com uma dor muito forte na região abdominal, não conseguiu dormir de novo com tamanha aflição e sofrimento, na manhã seguinte foi ao médico reclamar da dor e o doutor lhe disse que havia contraído um problema muito sério no fígado, e que deveria parar com os excessos no consumo de bebidas alcoólicas.



Escrito por Anacrônico às 14h10
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Pós-Adolescência.

 Ela era quem menos tinha chances de saber a resposta, mas ainda assim se perguntava. Desde sua infância a menina vivia entre a preocupação de manter os cabelos bem tratados e o seu cotidiano dilema: “com quais roupas se vestir?”.

Sua questão era simples, mas exigia uma resposta complexa, um desse questionamentos que nos fazemos quando se aproxima a maioridade, mas dos quais não podemos esperar uma resposta prática e segura.

Foi quando, num lapso de desespero, ela começou a ter medo, medo de não encontrar resposta, de descobrir que a sua ultima e única alternativa era prosseguir naquela mediocridade.     

Buscou outros caminhos, tentou se hippie mas, decididamente, não suportava o cheiro de maconha e suor daquelas pessoas. Acreditou que ser metaleira era a saída, acordou nua num banheiro público, com sangue escorrendo do nariz.

Procurou um refúgio na intelectualidade, porém Freud e Nietzsche quase a deixaram louca. Depois de três meses estava internada em um clínica psiquiátrica com depressão profunda.

Seus pais se perguntavam: “Onde foi que erramos?”. Suas antigas amigas atravessavam a rua ao vê-la, procuravam se distanciar. Os rapazes, seus antigos namoricos, agora faziam questão de dizer que não a conheciam.

Pois é, a antiga “mis colegial”, a oradora da formatura, o centro das atenções naquele colégio de classe média alta, havia se tornado uma jovem problemática, com olheiras profundas e um vício incontrolável: a auto destruição.

O grande problema era aquela questão, que ela ainda não havia conseguido responder: “Para que serve tudo isso?”. Aquele professor de filosofia do terceiro ando era quem havia a despertado de um sono profundo de alienação e conformismo, agora ela se tornara uma pessoa que enxergava melhor, mas também mais insegura e insatisfeita com tudo e todos.

Cansada de tanto desespero, depois de ter tomado quatro doses de Wisky barato e fumado uma pedra de haxixe, Amanda decidiu procurar seu ex-professor, aquele cara que ela tanto admirava.

E lá estava ele, um sujeito que desafiava os mandamentos bíblicos, zombava da moral cristão, duvidava das democracias e odiava os poderosos, o maior exemplo de vida que Amanda conhecera até então. Atendeu à porta de chinelas mal calçadas, pijama e o controle remoto da TV na mão:

 

-         Pois não Amanda?

-         Professor, eu estou desesperada! Há tanto tempo que eu estou perdida, procuro uma identidade, busco uma razão para enfrentar a luta diária contra esse cotidiano conturbado das metrópoles, contra essas pessoas medíocres e pseudo-conscientizadas.Quero libertar-me dessa moral hipócrita e desse mal estar cotidiano.

-         Amanda, querida, é o seguinte: diariamente eu levanto cedo e vou trabalhar, portanto, assim que acaba a novela das oito eu tenho que ir pra cama, é uma rotina cansativa, tenho que sustentar minha esposa e meus quatro filhos, isso sem falar na ração do Rex. Portanto, só terei tempo pra falar contigo Domingo, assim que eu voltar da missa. Ok? Passe domingo à tarde.

 

Meio sem saber o que fazer, Amanda saiu e foi ao Shopping, onde comeu um Big Mac com batatas fritas, depois foi pra casa dormir.

Escrito por Anacrônico às 08h55
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UM CONTO E NADA MAIS...

Aquela era uma tarde ensolarada de sábado, do canavial ouvia-se uma melodia, bem ritmada, que soava com o orquestramento dos golpes de foice que, juntos, formavam uma música inigualável, um som agradável que era criado pelo trabalho homogêneo de todos, mas que ocultava os traços específicos de cada um, a distinta contribuição que cada um dava à edificação da sinfonia.

E naquele ritmo louco, nosso maestro atravessou toda a tarde, seus pensamentos eram fluidos, não se concentrava em nada além do ritmo de seu trabalho. Ora imaginava que era um cangaceiro – como aqueles de sua infância, que faziam parte das histórias que o povo contava – e, assim como um deles, se via armado até os dentes vingando os pobres, matando todos os fazendeiros e padres do mundo, principalmente os padres, que comem sem trabalhar e ainda vivem dizendo a José o que ele deve ou não fazer.

Mas logo seu sonho de justiceiro perdia a força e ele ria de seus próprios pensamentos, aos trinta e sete anos, homem barbado, sonhando como uma criança, como um moleque de dez anos, ‘que ridículo!’.

O que o inquietava era uma outra lembrança, aquilo que ele tinha ouvido no dia anterior, e que o enfurecia. Não gostava de dar atenção aos ‘mexericos’ da vizinhança, mas era aquilo que ele havia ouvido era algo muito sério, muito preocupante. O suor de seu rosto escorria mais forte, suas mãos tremiam, ouvira de algumas pessoas que seu filhos Oziel, de onze anos, havia se tornado coroinha da igreja sem sua permissão, sem ao menos ter o consultado.

José estava muito ansioso por chegar em casa, daria uma surra no moleque e, já na segunda-feira, o traria para trabalhar na cana, só assim ele tomaria jeito: ‘Esse negócio de estudar e virar coroinha é coisa de vagabundo, para virar homem tem é que trabalhar”.

Ao fim da jornada de trabalho, José foi direto ao bar do Cidão, onde chegou de cara fechada, sentou-se à beira do balcão e pediu uma dose de pinga, que tomou num gole só e pediu outra. De dose em dose, em uma hora ele já havia tomado quinze e não mais tinha o domínio sobre os seus próprios pensamentos e movimentos. Levantou-se e disse:

- Cidão! Põe na conta!

Saiu cambaleando, tropeçando nas próprias pernas, em meio à confusão só conseguia lembrar de uma sensação, daquele sentimento que o atormentava desde os sete anos de idade, desde quando, no dia em que havia chegado com seus pais àquela cidade e procuraram abrigo na sacristia da igreja e, no meio da noite, o padre tapou sua boca e baixou suas calças, sussurrando baixinho no seu ouvido:

- Quietinho menino, se contar pra alguém Deus te castiga.

Mesmo depois de três décadas, José ainda lembrava-se daquilo, e agora tinha medo, sofria por pensar que aquilo poderia ocorrer com seu filho. O que lhe doía não era o fato de ter sido molestado, aquilo era comum aos garotos naquela idade, seja pelos pais, pelos meninos mais velhos ou por estranhos, o que lhe fizera criar aquela mágoa era o fato de ter sido por um padre, um representante da palavra de Deus.

José era muito fiel, apesar de não gostar das missas de Domingo, todos os dias rezava para Jesus Cristo, Nossa Senhora, “Padim Cícero” e para Deus. Era também um homem correto, cuidava dos filhos e da mulher, trabalhava de sol a sol, andava na linha, seu único desvio era um ou outro porre de cachaça aos finais de semana. Na porta da sacristia ele gritou:

- Padre Mauro, o “di casa”!

O Sacerdote acordou meio atordoado – era muito jovem, vinte e seis anos, recém ordenado – dirigiu-se à porta e ao abri-la deparou-se com a figura de um homem magro, bêbado, com os olhos entreabertos, sorrindo-lhe com uma Foice na mão direita. O padre o interrogou:

- Olá senhor José! Que surpresa! O Que deseja comigo a essas horas?

- Cadê meu moleque?

- O Oziel? Ele está dormindo lá nos fundos, com os outros meninos, amanhã eles têm que acordar cedo para a missa, por isso vão dormir aqui esta noite, mas pode ficar tranqüilo que eu cuido bem do seu menino.

 

Os olhos do cortador de cana se estalaram e, de repente, estavam arregalados, avermelhados. Aquela última frase foi como o aperto de um gatilho, disparou instantaneamente sua fúria. José, com as mão trêmulas, ouviu pela última vez o eco : “eu cuido bem do seu menino”. O movimento foi brusco, como quem corta um pé de cana, José se atirou contra o jovem sacerdote, deu-lhe um beijo forte e demorado nos lábios, depois saiu pela rua correndo. Padre Mauro ajoelhou-se e começou a vomitar ali mesmo no chão. José sumiu, nunca mais o viram naquela cidade.



Escrito por Anacrônico às 09h05
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"A Mídia Televisiva e o Cotidiano Popular"

Bom, acredito que atrevimento seja a palavra adequada, muito mais do que pretensão ou falta de bom senso. Na verdade, carrego a opinião de que o atrevimento, a ousadia e um pouco de insanidade sejam uma mistura perfeita para um bom texto.

            Bom, deixando de lado a embromação, quero falar um pouco sobre o tema do texto: “A Mídia Televisiva e o Cotidiano Popular”. Um título um tanto quanto ousado, que se encaixaria muito bem numa monografia de um sociólogo ou um antropólogo. Porém, a amplitude do tema não reflete o conteúdo do texto, que se trata de um pequeno esboço sobre algumas possibilidades de vermos o papel da televisão no cotidiano dos brasileiros.

            Eu poderia muito bem passar horas falando sobre a força das empresas de Televisão, da sua atuação como elemento de controle social: Quem não chorou com a morte do Senna? Quem não gritou “Diretas Já!”  ou “Fora Collor!” ? Quem não saiu pelas ruas como um bobo gritando: “É penta! É penta!”? Enfim, são tantos os casos de inserção da mentalidade popular em um conjunto de idéias padronizadas pela mídia.

            No entanto, é inútil gastar muitas palavras batendo em teclas gastas e repetidas. Ainda mais por saber que, ao fim desse texto, eu provavelmente vou ligar a televisão assistir a novela das oito (que começa as nove).

            A televisão promove uma espécie de “inclusão social”, um tipo de socialização através da padronização de alguns valores culturais. Onde a linguagem televisiva se torna a linguagem oficial, os padrões estéticos propagados pela mídia televisiva acabem se tornando o gosto das pessoas.

            E de repente, o brasileiro passou a descobrir a existência do resto do mundo: FMI, ONU, ALCA, etc. É um tipo de inclusão que passa a fazer do cidadão mais simples, mais acostumado ao cotidiano, uma pessoa “bem informada”.

            Acho que isso é visível, quando se pega um ônibus e se presta atenção nas conversas em redor (eu sei que isso é feio, mas todo mundo presta atenção na conversa dos outros), nota-se uma rica mistura de assuntos que vão da queda do Dólar às atividades rotineiras de um certa Dona Maria, que não se esquece de citar os últimos acontecimentos de alguma novela mexicana.

            É uma interessante fusão, um paradoxo que se forma com a união da mais pura alienação com a edificação da possibilidade das pessoas menos providas alcançarem a informação e o conhecimento.

            Não quero cair no simplismo de achar que a mídia televisiva seja a salvação do país, como tentam nos fazer engolir através daqueles reclames bem produzidos aonde políticos importantes vem falar da importância da TV na discussão dos problemas nacionais.

            Muito menos quero ser tomado pela tão conhecida prepotência marxista, que acha que a grande mídia joga a favor do Capitalismo Neo Liberal, e que só pode ser compreendida dessa maneira, com instrumento de alienação.

            Também não vou ficar em cima do muro, por que os muros são ilusórios, não acredito em fronteira que delimitem as possibilidades que uma pessoa tem de opinar sobre um assunto, pois todo radicalismo é burro.

            Simplesmente busco apreender toda a importância de um meio de comunicação na vida das pessoas, de uma televisão que faz os brasileiros acreditarem que carnaval, futebol e cerveja são as melhores coisas do mundo.

            Talvez até sejam mesmo, mas o ponto em que eu quero tocar, onde sou radical – e talvez burro – é no fato de acreditar que a televisão pode ser um meio de comunicação que leve um pouco mais de inteligência e consciência ao cotidiano das pessoas.

            Bom, se é possível aliar audiência a bom gosto, acredito que sim. Só resta saber se os produtores e diretores de televisão – os grandes formadores da opinião nacional – já atingiram esse pensamento. Se ainda não foram capazes disso, acho que aí a coisa está preta mesmo.



Escrito por Anacrônico às 09h07
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Sociologia Bloggistica

            Quando se adentra ao mundo dos blogs, flogs e sites pessoais, o que se descobre é um ambiente meta-social, onde pessoas diversas se encontram e colocam ali toda uma espécie de representação do mundo real. Dentro dessa perspectiva, resolvi fazer uma análise desses espaços, que visito freqüente mente, e dos quais sou participante ativo, e olhando com atenção pude constatar algumas evidências que pretendo agora apresentar.

            Num plano geral, descobri que existem, em linhas gerais, quatro categorias de sites pessoais: os “Blogs Adolescentes”, “Diários Fotográficos”, os “Blogs pós-adolescentes” e os “Blogs extemporâneos”. Para ficar claro, vou explicar como cada um deles funciona, e como representam as comunidades que os freqüentam.

 

1 – Blogs adolescentes: Apesar da maioria de seus donos estarem nas faixa dos 10 aos 16 anos, também é possível encontrar pessoas de outras idades os freqüentando. Geralmente se referem a temas como: “o que eu comi no café da manhã”, “comprei mais figurinhas de RPG”, “tirei zero de novo” e “to loco pra ir no Show do Charlie Brown” para os meninos; e “com quem vou ficar hoje”, “com quem vou ficar amanhã”, “com quem fiquei ontem”... Em geral se utilizam de uma metalingüística, e escrevem comentários muito inteligentes, do tipo: “intaum vai lá e da um bejaum na boca dele”, ou então “hj eu naum to legaux”.

            Geralmente os comentários são de elogios, apoio e deixam a dona ou o dono do blog “super-felixes” com as visitas, mas a maioria desses comentários é utilizada para fazer considerações redundantes sobre a opressão dos pais e dos professores. São os blogs mais visitados da net, mas não tenho porque tentar explicar o motivo, isso é óbvio.

 

2 – Diários Fotográficos. Os conhecidos “FLOGS”, são uma variação dos blogs adolescentes, servem para moças e rapazes maiores, que não acham mais graça em ficar escrevendo suas historinhas e preferem colocar suas fotos de baladas ou de namorados. A diferença deste para os primeiros é que estes usam uma linguagem mais inteligível, e rola menos intimidade do que entre adolescentes, visto que nessa faixa etária as pessoas começam a amadurecer e descobrir que não se pode contar todos os detalhes de suas vidas para todo mundo. São também muito visitados, mas são espaços restritos aos amigos do (a) dono (a) do Flog.

 

3 – Blogs Pós-adolescentes. Esses são de um tipo distinto dos dois anteriores, são geralmente formados por estudantes universitários, na sua maioria Nerds que acham que sabem de tudo e que podem tirar sarro de tudo Nesse tipo de blog, rolam altas discussões sobre política, comportamento, economia, direito e sociedade. Geralmente não são muito freqüentados, mas a média de comentários é alta, visto que todos gostam de dar palpites e discutir qualquer coisa.

Na verdade são espaços de proliferação de uma mentalidade narcisistica, todos que escrevem sempre falam sobre qualquer coisa apenas para mostrar que sabem algo, acontecem grandes debates onde o que se percebe é apenas a vontade explícita de derrotar o outro, mesmo que seja usando de argumentos totalmente infundados. Existem os que não tem muitos argumentos e preferem partir para a agressão verbal. Enfim, é um espaço de construção da própria identidade, onde os jovens acham que suas posições são definitivas, e não conseguem aceitar os argumentos dos outros, coisa própria da idade.

 

4 – Blogs extemporâneos. São blogs fora do seu tempo, ou seja, sem noção. Onde os autores escrevem poesias e textos ininteligíveis, onde conseguem não dar opinião sobre nada e não falar sobre nada, apenas ficar divagando sobre suas próprias ansiedades e perturbações. Trata-se de uma variação do estilo anterior, com a simples diferença que são tão pouco visitados e tão pouco visitados e comentados que em pouco tempo os seus autores desistem de atualizá-los.

 

            Bom, findada essa breve discussão, podemos fazer uma análise geral: estes espaços virtuais são geralmente freqüentados por jovens, na sua maioria de classe média, que variam entre angustiados, proto-intelectuais autoconfiantes, adolescentes felizes e pós-adolescentes felizes. Não acho que seja pertinente fazer aqui uma análise mais profunda, acho que os dados acima já permitem-nos algumas conclusões, mas prefiro deixar em aberto, acho que uma sociologia dos blógs é um trabalho a ser feito, mas que não é minha pretensão elaborá-lo. Portanto, acho também, que aqueles que leram meu blog já sabem em qual categoria de blogs esse se posiciona.



Escrito por Anacrônico às 11h15
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