Extemporâneo


"A Mídia Televisiva e o Cotidiano Popular"

Bom, acredito que atrevimento seja a palavra adequada, muito mais do que pretensão ou falta de bom senso. Na verdade, carrego a opinião de que o atrevimento, a ousadia e um pouco de insanidade sejam uma mistura perfeita para um bom texto.

            Bom, deixando de lado a embromação, quero falar um pouco sobre o tema do texto: “A Mídia Televisiva e o Cotidiano Popular”. Um título um tanto quanto ousado, que se encaixaria muito bem numa monografia de um sociólogo ou um antropólogo. Porém, a amplitude do tema não reflete o conteúdo do texto, que se trata de um pequeno esboço sobre algumas possibilidades de vermos o papel da televisão no cotidiano dos brasileiros.

            Eu poderia muito bem passar horas falando sobre a força das empresas de Televisão, da sua atuação como elemento de controle social: Quem não chorou com a morte do Senna? Quem não gritou “Diretas Já!”  ou “Fora Collor!” ? Quem não saiu pelas ruas como um bobo gritando: “É penta! É penta!”? Enfim, são tantos os casos de inserção da mentalidade popular em um conjunto de idéias padronizadas pela mídia.

            No entanto, é inútil gastar muitas palavras batendo em teclas gastas e repetidas. Ainda mais por saber que, ao fim desse texto, eu provavelmente vou ligar a televisão assistir a novela das oito (que começa as nove).

            A televisão promove uma espécie de “inclusão social”, um tipo de socialização através da padronização de alguns valores culturais. Onde a linguagem televisiva se torna a linguagem oficial, os padrões estéticos propagados pela mídia televisiva acabem se tornando o gosto das pessoas.

            E de repente, o brasileiro passou a descobrir a existência do resto do mundo: FMI, ONU, ALCA, etc. É um tipo de inclusão que passa a fazer do cidadão mais simples, mais acostumado ao cotidiano, uma pessoa “bem informada”.

            Acho que isso é visível, quando se pega um ônibus e se presta atenção nas conversas em redor (eu sei que isso é feio, mas todo mundo presta atenção na conversa dos outros), nota-se uma rica mistura de assuntos que vão da queda do Dólar às atividades rotineiras de um certa Dona Maria, que não se esquece de citar os últimos acontecimentos de alguma novela mexicana.

            É uma interessante fusão, um paradoxo que se forma com a união da mais pura alienação com a edificação da possibilidade das pessoas menos providas alcançarem a informação e o conhecimento.

            Não quero cair no simplismo de achar que a mídia televisiva seja a salvação do país, como tentam nos fazer engolir através daqueles reclames bem produzidos aonde políticos importantes vem falar da importância da TV na discussão dos problemas nacionais.

            Muito menos quero ser tomado pela tão conhecida prepotência marxista, que acha que a grande mídia joga a favor do Capitalismo Neo Liberal, e que só pode ser compreendida dessa maneira, com instrumento de alienação.

            Também não vou ficar em cima do muro, por que os muros são ilusórios, não acredito em fronteira que delimitem as possibilidades que uma pessoa tem de opinar sobre um assunto, pois todo radicalismo é burro.

            Simplesmente busco apreender toda a importância de um meio de comunicação na vida das pessoas, de uma televisão que faz os brasileiros acreditarem que carnaval, futebol e cerveja são as melhores coisas do mundo.

            Talvez até sejam mesmo, mas o ponto em que eu quero tocar, onde sou radical – e talvez burro – é no fato de acreditar que a televisão pode ser um meio de comunicação que leve um pouco mais de inteligência e consciência ao cotidiano das pessoas.

            Bom, se é possível aliar audiência a bom gosto, acredito que sim. Só resta saber se os produtores e diretores de televisão – os grandes formadores da opinião nacional – já atingiram esse pensamento. Se ainda não foram capazes disso, acho que aí a coisa está preta mesmo.



Escrito por Anacrônico às 09h07
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Sociologia Bloggistica

            Quando se adentra ao mundo dos blogs, flogs e sites pessoais, o que se descobre é um ambiente meta-social, onde pessoas diversas se encontram e colocam ali toda uma espécie de representação do mundo real. Dentro dessa perspectiva, resolvi fazer uma análise desses espaços, que visito freqüente mente, e dos quais sou participante ativo, e olhando com atenção pude constatar algumas evidências que pretendo agora apresentar.

            Num plano geral, descobri que existem, em linhas gerais, quatro categorias de sites pessoais: os “Blogs Adolescentes”, “Diários Fotográficos”, os “Blogs pós-adolescentes” e os “Blogs extemporâneos”. Para ficar claro, vou explicar como cada um deles funciona, e como representam as comunidades que os freqüentam.

 

1 – Blogs adolescentes: Apesar da maioria de seus donos estarem nas faixa dos 10 aos 16 anos, também é possível encontrar pessoas de outras idades os freqüentando. Geralmente se referem a temas como: “o que eu comi no café da manhã”, “comprei mais figurinhas de RPG”, “tirei zero de novo” e “to loco pra ir no Show do Charlie Brown” para os meninos; e “com quem vou ficar hoje”, “com quem vou ficar amanhã”, “com quem fiquei ontem”... Em geral se utilizam de uma metalingüística, e escrevem comentários muito inteligentes, do tipo: “intaum vai lá e da um bejaum na boca dele”, ou então “hj eu naum to legaux”.

            Geralmente os comentários são de elogios, apoio e deixam a dona ou o dono do blog “super-felixes” com as visitas, mas a maioria desses comentários é utilizada para fazer considerações redundantes sobre a opressão dos pais e dos professores. São os blogs mais visitados da net, mas não tenho porque tentar explicar o motivo, isso é óbvio.

 

2 – Diários Fotográficos. Os conhecidos “FLOGS”, são uma variação dos blogs adolescentes, servem para moças e rapazes maiores, que não acham mais graça em ficar escrevendo suas historinhas e preferem colocar suas fotos de baladas ou de namorados. A diferença deste para os primeiros é que estes usam uma linguagem mais inteligível, e rola menos intimidade do que entre adolescentes, visto que nessa faixa etária as pessoas começam a amadurecer e descobrir que não se pode contar todos os detalhes de suas vidas para todo mundo. São também muito visitados, mas são espaços restritos aos amigos do (a) dono (a) do Flog.

 

3 – Blogs Pós-adolescentes. Esses são de um tipo distinto dos dois anteriores, são geralmente formados por estudantes universitários, na sua maioria Nerds que acham que sabem de tudo e que podem tirar sarro de tudo Nesse tipo de blog, rolam altas discussões sobre política, comportamento, economia, direito e sociedade. Geralmente não são muito freqüentados, mas a média de comentários é alta, visto que todos gostam de dar palpites e discutir qualquer coisa.

Na verdade são espaços de proliferação de uma mentalidade narcisistica, todos que escrevem sempre falam sobre qualquer coisa apenas para mostrar que sabem algo, acontecem grandes debates onde o que se percebe é apenas a vontade explícita de derrotar o outro, mesmo que seja usando de argumentos totalmente infundados. Existem os que não tem muitos argumentos e preferem partir para a agressão verbal. Enfim, é um espaço de construção da própria identidade, onde os jovens acham que suas posições são definitivas, e não conseguem aceitar os argumentos dos outros, coisa própria da idade.

 

4 – Blogs extemporâneos. São blogs fora do seu tempo, ou seja, sem noção. Onde os autores escrevem poesias e textos ininteligíveis, onde conseguem não dar opinião sobre nada e não falar sobre nada, apenas ficar divagando sobre suas próprias ansiedades e perturbações. Trata-se de uma variação do estilo anterior, com a simples diferença que são tão pouco visitados e tão pouco visitados e comentados que em pouco tempo os seus autores desistem de atualizá-los.

 

            Bom, findada essa breve discussão, podemos fazer uma análise geral: estes espaços virtuais são geralmente freqüentados por jovens, na sua maioria de classe média, que variam entre angustiados, proto-intelectuais autoconfiantes, adolescentes felizes e pós-adolescentes felizes. Não acho que seja pertinente fazer aqui uma análise mais profunda, acho que os dados acima já permitem-nos algumas conclusões, mas prefiro deixar em aberto, acho que uma sociologia dos blógs é um trabalho a ser feito, mas que não é minha pretensão elaborá-lo. Portanto, acho também, que aqueles que leram meu blog já sabem em qual categoria de blogs esse se posiciona.



Escrito por Anacrônico às 11h15
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